terça-feira, 12 de novembro de 2013

Ex de Ex

"Pós-vômito fictício nada real"

Notas:
As letras podem ser substituídas por pronomes pessoais do caso reto, caso queira uma adaptação em experiência direta.
A ordem altera totalmente o produto atual, mas não a intensidade dos fatores envolvidos.
Antes de começar, faz-se necessário prever o final: A e C se tornarão inseperáveis.

Século XXI
Uma tela de computador
Personagens: Simulacros da vida pós-moderna como perfis pessoais de redes sociais não sociáveis, nominados de A a ...)



Com muito receio, A venceu o medo em ler os 15 comentários da foto que B havia publicado.
A já sabia, com sua intuição feminina e com a ajuda de um desses aplicativos localizadores, onde aquela foto havia sido clicada.
A também deduziu, sem grandes dificuldades, que aquela foto teria sido tirada por C, afinal, não era isso que havia reunidoB e C? olhares, poses, sorrisos, pensamentos...?
Na foto, B olhava para longe, através de uma janela, com uma doçura que normalmente seria captada por suas próprias lentes inquietas e instáveis. A se reconheceu no olhar de B e também estranhou. Amaldiçoou por 2 ou 3 segundos a existência de C.


Para a sua surpresa, A encontrou palavras de D que a tiraram do lugar. Sentiu-se cúmplice do olhar de B mas já não era a única. Sorriu ao imaginar o passado de B com D, com E, F, ou mesmo com G. Alegrou-se pela preocupação de E nos últimos dias e constatou a semelhança outrora relatada.

Deliciou-se recordando das lentes e janelas atravessadas ao lado de H, I e J - de José - e já desejava o alfabeto inteiro.

Satisfeita por viver, A abriu a mão e deixou B escorrer. Daria um beijo macio, mas como se sentiu um pouco ridícula em beijar a tela (mais uma vez) clicou em curtir e foi comer macarrão de letrinhas.

sábado, 26 de outubro de 2013

A nova você me espeta

Pela sua atual localização
Quase um susto que esteja.
Gozando com uma família nova,
Tem cachorro? Gato, periquito ou papagaio?

Para quê cautela, querer acertar tudo?

Justificações e argumentações infindas.

Quando convidei, quando insisti.
Quando para mim, disse tantos nãos.

A nova você me espeta
A nova você não espera

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Trator

Tratar + amar.

Llocs

Não estou falando de espaço, muito menos de uma localização.

São os lugares. Lugares que te cercam e espetam até que sinta a mais pura sensação do estar ali.

Uma entrada, e a cada passo você cai em um novo recipiente, cada qual cheio de um material específico, como chocolate, algodão, bolinha de gude, pregos e alfinetes, geleca.

Ser prensada ou sentir-se livre sem caminho.


É assim que te quedas. Como aquários, como aquários...

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Resistência

"Isso não ameniza seus ais
Não põe as mágoas pra fora
Não abandona a casa da dor
Quem quando dentro ignora
Você não admite sofrer
Mas já se vê sem escolha
É só sorriso mas não consegue chorar"
Dani Black

E se resolvessemos nos entregar ao lilás, resolvessemos assumir a fraqueza, o não e o não querer?
Vontade.

Mas parece que o lilás te suga, te prende e envolve em flores e cheiros donde não dá mais para te desprender.
Deixa.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Leitura de Clarice...

De uma crônica de um livro, publicado em 1978, intitulado "Para não esquecer"

Por não estarem distraídos

"Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriquagez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos!
Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos."

Clarice Lispector